
Só mais um pouco e então, tudo certo...Droga, escapou de novo. Espera, é só uma questão dela conseguir se concentrar. Droga, escapou de novo. Ela já estava vendo a pontinha verde brilhante... era uma das boas essa. Era não, É! Ainda está ali rondando. Apertou mais os olhos até sentir uma certa tontura e respirou fundo.
Pronto, pegou!
Rapidamente catou um frasquinho de vidro e envasou a coisa, antes que ela escorresse pelos dedos. Só então, analisou melhor: era verde, como as outras.E isso era bom, queria dizer que ainda era válida. Apertou o frasco no peito e correu.
O armário era de cedro, minuciosamente polido, brilhante. Ela passou os dedos pelo desenho da madeira e o abriu.Sem delongas, ajeitou o frasco numa das prateleiras e se afastou para examinar, orgulhosa, seu tesouro.
Cinco prateleiras, inúmeros frascos. Todos com um conteúdo verde, só variando no tom. A garota sorriu triunfante, lacrou o armário e foi-se embora.
Colecionava esperanças.
Sentimentos lacrados
Toscamente talhado por Mai Amorim às 20:45 7 outras dissonâncias
Marcadores: Colorido, Divagações, Sentimento
Segura minha mão
Dizendo "assim tá tudo bem"
Vi o seu casaco, abrindo os braços, me acenando
Como se não existisse, mais ninguém...
Tudo pode parecer um caos
Pois quando eu ando sem destino
Só você me traz
De volta segurando a minha mão
E agora pode me levar no colo
Feito uma criança, num filme de assombração
Não posso encostar os pés no chão"
Luxúria - Pés no Chão
Virgem: É o 6º signo do zodíaco, regido por Mercúrio.É um signo de Terra, cujo significado é o de servir.Virgem só se sente bem fazendo algo pelos outros.
Sua maior recompensa é o reconhecimento de que está fazendo algo pelos demais. Às vezes são duros demais com eles próprios, porque não admitem que falhem.
Acho que essa é a característica mais peculiar minha e talvez a única da descrição de virgem que se encaixa no meu perfil.Influenciada pelos astros ou não, sou excessivamente altruísta.Idiota?Talvez.
Não consigo lidar direito com o fato de não ser reconhecida como alguém que está presente e muito menos com o fato de que certas coisas estão fora de minha alçada.Infantil?Talvez.
Impossível não me martirizar por não conseguir amenizar a dor de alguém que eu amo.Sentir-se inútil ou incapaz é absurdamente doloroso para qualquer virginiano.Ridículo? Com toda a certeza. Mas isso sou eu.
Uma semana de particular sensação de incapacidade se arrastou por mim, arrancando algumas lágrimas.E a sensação de que falhei fica cutucando meu juízo.E nada me faz enxergar a minha impossibilidade de quebrar um pouco as situações ruins pelas quais passam certas pessoas como outra coisa senão uma grande falha.Uma falta minha, enquanto "pessoa com que se pode contar".
Passei uma ligação inteira com medo de ouvir a voz do outro lado da linha dizer "você não me conhece". Por sorte, não ouvi. Vindo de algumas pessoas, isso quebra minhas duas pernas e ainda me chuta as costelas. Porque "a gente só conhece bem as coisas que cativou".
Terminei uma conversa no msn com uma vontade imensa de pegar um carro e dirigir por doze horas infernais para dar um abraço em outra pessoa e dizer "eu estou aqui".
E só o que fica, afinal, é uma vaga incerteza. Uma névoa de dúvidas com uma pitada de dor, que me faz sentir uma idiota por viver as coisas dessa forma.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Toscamente talhado por Mai Amorim às 18:15 1 outras dissonâncias
Marcadores: Divagações, Lethes, Vazio
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Olhando para o mar e toda aquela negritude da noite sem estrelas, sentiu o vento frio do litoral chuvoso levar para longe toda a angústia presa. Talvez não para tão longe assim, mas para algum terreno inacessível e cercado, fechado para visitações naquele momento específico.
Se tinha uma coisa que ela gostaria de fazer naquela hora, era transmissão de pensamento. Telepatia mesmo, para poder dividir aquela ocasião com alguém em especial.Mas como isso estava além do seu alcance, limitou-se em imaginar e a sentir, coisas que por sua vez já são uma viagem e tanto por outros planos e dimensões.Bom, pelo menos para quem se lança.
Deitou-se na areia úmida, rindo do efeito tardio do vinho barato. E ficou assim, lembrando do dia chato que transcorrera pelo cinza do céu.Ao seu lado, pessoas igualmente revoltadas com a monotonia do dia, agora bêbadamente dançando na areia. Sorriu e pensou:
E um dia, você encontra pessoas.
E então, passa a dividir momentos com elas.
E aquelas pessoas, que um dia não passavam de sombras no meio da multidão, agora adentram teu mundo, pintam teus dias e fazem parte das tuas orações.
E mesmo quando ainda estamos naquela limitação tímida dos recém-cativados, naquela linha tênue entre amizade em potencial e amizade consolidada, cantamos juntos a mesma música.
[o que mais tarde, virou uma mensagem pessoal ^^]
Sim, estava ali numa tímida limitação de recém-cativada, dançando frevo sobre a linha da lucidez/sanidade , trôpegamente andando na margem da lagoa das amizades nascentes. E como não havia monstro nenhum na lagoa [referência INEVITÁVEL ao livro O Caçador de Pipas], resolveu mergulhar de vez.
É bom dividir os viveres.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Toscamente talhado por Mai Amorim às 20:43 3 outras dissonâncias
Marcadores: Amizade, Sentimento
Dez anos
Uma amiga me escreveu, num dia triste de chuva, chateada com umas situações:
"Ai q vontade de bater no tempo, em tudo mais que há, na vida que separa a gente de quem amamos... e você também sabe como...
ainda bem que ainda te tenho perto...
nem pense em fugir de mim.."
Há um tempo, postei aqui um texto que falava justamente sobre o tempo e o que ele faz na nossa vida.Camila comentou,de forma bem sensata, que o tempo às vezes pode ser um grande mestre, mas muitas das vezes acaba sendo só mais uma ferida. E convenhamos: temos que concordar.
Mas hoje não estou aqui para cutucar as eventuais feridas que o tempo pode cavar em nós, uma vez que é justamente nele que tenho apostado algumas das mais importantes fichas da minha vida, o que não vem ao caso agora.
Estou aqui para voltar no tempo.Voltar, mais precisamente, dez anos: segunda série do ensino fundamental, Centro Educacional Colméia . Só a gurizada inocente, feliz e saltitante, naquela farda amarela esparroza, brincando de Drácula, escorregando no corrimão, saindo nas ruas da Praia Grande em passeatas, passando a noite no colégio, criando laços. E nós, Imaíra Medeiros...
Assim, dez anos se passaram pelas nossas retinas. E cá estamos, não? O tempo não nos pregou uma peça e nós fomos fortes. Nunca fugi e você nunca me virou as costas. Pode parecer clichê demais mas dez anos não são dez dias. Uma década.Assim, de amizade!
E que venham os séculos! \o/
auhauhauhauhaua
Ima, te amo!
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Toscamente talhado por Mai Amorim às 17:00 3 outras dissonâncias
Indicações
Imaíra, do http://depoisdoentardecer.blogspot.com passou para mim um questionário e umas indicações. Eis aqui, então:
Uma hora: Pôr-do-sol
Um astro: Sarah Shahi
Um móvel: Cama
Um líquido: Coca- Cola [ok, é vício.]
Uma pedra preciosa: Rubi
Uma árvore: Ipê roxo
Uma flor: Rosas vermelhas.
Uma cor: Depende do momento
Um animal: Tigre albino
Uma música: Taaaaantas, mas fico com Anywhere - Evanescence
Um livro: O Caçador de Pipas
Um lugar: Gramado - RS
Um verbo: Amar
Uma expressão: Seriamente não sei..
Um mês: Julho/Setembro
Um número: 5
Um instrumento musical: Violão.
Estação do ano: Inverno.
Um filme: The Lake House e Lost and Delirious
Os selos:
Os selos:
1. Basta indicar 5 blogs que você realmente ache interessantes, mesmo que eles já tenham sido escolhidos por outros blogueiros. 2. O objetivo é unir blogs que se comunicam e formam uma grande rede na blogosfera com textos interessantes com a intenção de compartilhar, criar e interagir com todos os blogueiros de plantão
"Todos temos blogs pelo fato de gostarmos de escrever. Por prazer, profissionalismo, ou qualquer motivo pessoal. E a maioria gosta de escrever para liberar algum sentimento profundo, seja ele bom ou ruim. Escreve para se encontrar, para analisar a situação depois de algum tempo, ou naquela mesma hora, e também por essa paixão de por tudo no papel. E estou chamando esses blogueiros de Escritores da própria liberdade. Escritores sim, mesmo que amadores, que escrevem suas emoções, que não guardam tudo para si. Que compartilham tudo com pessoas muitas vezes estranhas (entre as conhecidas)... Escritores que admiro muito, por vários motivos, que se destacam de um jeito único, para cada uma das pessoas que os conhecem. Blogueiros que publicam a sua liberdade de expressão."
E ainda, o selo " Eçe eu agarantiu."
Vou repassar o questionário e os selos a 5 outros amigos, ressaltando que alguns já foram indicados por outras pessoas, mas realmente merecem.
Camila Cutrim - http://letrasesilencio.blogspot.com
Felipe Silva - http://undsvrd.blogspot.com/
Raissa Santana - http://mulher-espuma.blogspot.com/
Verner Bezerra - http://vernerbezerra.blogspot.com/
[Hum, não sei seu nome ^^] http://disopia.blogspot.com/
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Toscamente talhado por Mai Amorim às 21:35 1 outras dissonâncias
Mais uma dose, por favor.

Entrou no bar já um pouco trôpego, ainda sentindo os efeitos da bebedeira do dia anterior. Sentou-se no balcão, limpou o suor do rosto e sorriu nervosamente quando o barman se aproximou.
Tinha saído de casa na noite anterior decidido a encher a cara. Tinha pedido a maior e mais forte garrafa de rancor . "Uma maior do que a de solidão, que venho tomando há algumas noites, lembra?",tinha dito ao barman. Ainda trazia nas veias e na boca o gosto ácido e para se ver livre dele, precisava outra bebida.Contemplou a diversidade de garrafas e seus líquidos coloridos e pediu a mais forte.
O barman sugeriu uma garrafa de amor.
"Qual é ela?É essa rosa?"
"Não tenho como lhe dizer.A cor do amor se dá pelos olhos de quem vê.E só você é que pode identificar qual é a garrafa certa.Mas acho que essa rosa aí é a garrafa de satisfação."
"Ah, satisfação não... é muito vago.Mas, se você não sabe quais são as de amor, como vou poder pedir?"
"Você saberá qual é."
O homem olhou para as garrafas.Ela estava ali. Entre uma garrafa azul royal de indiferença e outra verde esmeralda de esperança desiludida, descansava uma garrafa com a cor mais linda que ele já tinha visto.Sorriu.
"Ah, vejo que você encontrou sua garrafa.Vejo pelo brilho dos olhos e pelo sorriso bobo.Todos ficam assim, é impressionante!"
"Sim... pode pegá-la pra mim?É aquela ali, a segunda da prateleira "
O barman entregou ao homem a garrafa.Ele a olhou num estado que beirava o torpor alucinógeno das drogas.Num estalo, lembrou de onde tinha visto aquela mesma cor e tremulamente, destampou o vidro.Um perfume mais que conhecido se espalhou dentro dele, numa mistura de saudade e a mais plena felicidade. Fechou a garrafa.
"Vai querer um copo?"
"Não... acho que não estou pronto ainda...é, não estou pronto.Entraria em coma, creio...mas até que isso não soa tão ruim.Mas, mesmo assim, acho que não mereço. Tem algo um pouco mais fraco?"
Ele acariciou a garrafa numa despedida doída e olhou para o líquido vermelho que lhe era oferecido.
"Paixão."
Dispensando o copo, tomou o vidro nas mãos e bebeu como se aquilo fosse o próprio elixir da vida.Era quente, vibrante, parecia pintar tudo de um vermelho vivo.Era realmente mais forte que o rancor,levemente doce e se espalhava misturando êxtase e dor. Sentiu que se afogava naquele oceano rubro mas não parou de beber até sentir a garrafa leve como suas pernas há muito já estavam.
Já na rua, saltando sobre poças e cantarolando baixo pegou uma foto polaroid da carteira e fitou os olhos mais lindos do mundo. Os olhos que deram cor àquela garrafa, a segunda da prateleira.Iria ter a melhor ressaca da vida.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Toscamente talhado por Mai Amorim às 10:57 8 outras dissonâncias
Companhia, música e discórdia
Bem... Tinham me dito que não era pra postar esse conto porque ele tinha ficado realmente ruim. Que ficou ruim, é bem verdade. Mas o instinto dissonante aqui falou mais alto. Eis o dito cujo, que surgiu do nada, entre duas aulas chatas .^^
- Duas taças de vinho, por favor.
- Só uma. Eu quero um Martini.
- Mas onde já se viu jantar romântico com Martini?
- Quem foi que disse que jantares românticos devem ser regados a vinho? Eu quero um Martini. E quem disse que isso é um jantar romântico?
- Tá certo! Uma taça de vinho e um Martini.
- Ele já ouviu, não é surdo.
[O garçom olha para os dois e pergunta pela comida, impaciente. "Céus... por quê raios eu vim atender essa mesa? " ]
- Nós vamos ficar com a sugestão da casa e...
- Eu quero filé com fritas.
- FILÉ COM FRITAS? TÁ LOUCA?
- Não grita... que coisa!O que tem demais com meu filé com fritas?Eu gosto, você não sabia?E eu estou com vontade de filé com fritas. E não de "Filé de peixe ao molho de crustáceo com toque especial da casa", a tal sugestão aí que você quer.
- Sim, eu sabia que você gostava... bom,na verdade não. Mas isso não importa!Será que podemos entrar em consenso?
-Eu não sabia que aderir ao que você determina é sinônimo de consenso.
- Mas a gente sempre decidia tudo juntos e você nunca reclamou. Por que isso agora?
- Correção: você decidia.
[Pigarro do garçom, os dois param a discussão]
- Sugestão da casa pra mim e filé com fritas ao ponto pra ela.
- Mal-passado. O filé é mal-passado. E posso saber o por quê desse teu tom?
- Nada, absolutamente nada.Pode me explicar o que foi isso?
- Isso o quê?
-ISSO!
- Continuo na mesma.
- Que história é essa de ficar discordando de mim? É pra me provocar é? É pra fazer ceninha, teatro?
- Discordando?Provocar?Ceninha? TEATRO?Não vi nada disso aqui.Você está fazendo drama.
-Não sabia que você gostava de Martini.
- Agora já sabe.Anota, pra não esquecer.
- Dá pra parar de agir assim?
[ Ela o ignora, pega um espelho e retoca o batom]
- Esse negócio de "ser eu mesma" realmente faz efeito! Me sinto tão bem!
- AHHHHH! Eu sabia! Sabia que tinha o dedo da tua irmã no meio disso! ela que te falou isso né?
- Não viaja! Minha irmã não tem nada a ver com isso.
- Quem é você e o que fez com a minha mulher?
- Deixe de histerismo, homem! Sou eu, tua mulher. Na verdade, a mulher que você nunca quis enxergar, que você nunca deixou sequer respirar.Eu, eu mesma, bem aqui.
[Silêncio sepulcral]
- Você sempre teve esse sinal aí?
- Claro, né? Você acha o quê? Que eu botava pra dormir?
- Ei...
- Oi.
- Acho que descobri que te amo.
- Haha! Não adianta, a conta eu não pago!
- Não... é sério. Acho que te amo...
-Ihhh.... olha, benhê.. Acho que com essa história toda... descobri que não te amo. "Eu mesma" não te ama.
-Mas...
- Olha, tenho que ir. Tá na hora da novela. A gente se vê em casa, tá amor?Ah, outra coisa: não gosto desse seu corte de cabelo, nem desse restaurante. Até mais tarde!
-Mas...
- Tchau, amor!
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Toscamente talhado por Mai Amorim às 19:02 14 outras dissonâncias
Marcadores: Dissonâncias
