Sentimentos lacrados


Só mais um pouco e então, tudo certo...Droga, escapou de novo. Espera, é só uma questão dela conseguir se concentrar. Droga, escapou de novo. Ela já estava vendo a pontinha verde brilhante... era uma das boas essa. Era não, É! Ainda está ali rondando. Apertou mais os olhos até sentir uma certa tontura e respirou fundo.
Pronto, pegou!
Rapidamente catou um frasquinho de vidro e envasou a coisa, antes que ela escorresse pelos dedos. Só então, analisou melhor: era verde, como as outras.E isso era bom, queria dizer que ainda era válida. Apertou o frasco no peito e correu.
O armário era de cedro, minuciosamente polido, brilhante. Ela passou os dedos pelo desenho da madeira e o abriu.Sem delongas, ajeitou o frasco numa das prateleiras e se afastou para examinar, orgulhosa, seu tesouro.
Cinco prateleiras, inúmeros frascos. Todos com um conteúdo verde, só variando no tom. A garota sorriu triunfante, lacrou o armário e foi-se embora.

Colecionava esperanças.

sábado, 12 de abril de 2008

Segura minha mão




"Na neblina vi o seu sorriso tímido
Dizendo "assim tá tudo bem"
Vi o seu casaco, abrindo os braços, me acenando
Como se não existisse, mais ninguém...

Tudo pode parecer um caos
Pois quando eu ando sem destino
Só você me traz
De volta segurando a minha mão

E agora pode me levar no colo
Feito uma criança, num filme de assombração
Não posso encostar os pés no chão"
Luxúria - Pés no Chão


Virgem: É o 6º signo do zodíaco, regido por Mercúrio.É um signo de Terra, cujo significado é o de servir.Virgem só se sente bem fazendo algo pelos outros.
Sua maior recompensa é o reconhecimento de que está fazendo algo pelos demais. Às vezes são duros demais com eles próprios, porque não admitem que falhem.

Acho que essa é a característica mais peculiar minha e talvez a única da descrição de virgem que se encaixa no meu perfil.Influenciada pelos astros ou não, sou excessivamente altruísta.Idiota?Talvez.
Não consigo lidar direito com o fato de não ser reconhecida como alguém que está presente e muito menos com o fato de que certas coisas estão fora de minha alçada.Infantil?Talvez.
Impossível não me martirizar por não conseguir amenizar a dor de alguém que eu amo.Sentir-se inútil ou incapaz é absurdamente doloroso para qualquer virginiano.Ridículo? Com toda a certeza. Mas isso sou eu.

Uma semana de particular sensação de incapacidade se arrastou por mim, arrancando algumas lágrimas.E a sensação de que falhei fica cutucando meu juízo.E nada me faz enxergar a minha impossibilidade de quebrar um pouco as situações ruins pelas quais passam certas pessoas como outra coisa senão uma grande falha.Uma falta minha, enquanto "pessoa com que se pode contar".

Passei uma ligação inteira com medo de ouvir a voz do outro lado da linha dizer "você não me conhece". Por sorte, não ouvi. Vindo de algumas pessoas, isso quebra minhas duas pernas e ainda me chuta as costelas. Porque "a gente só conhece bem as coisas que cativou".
Terminei uma conversa no msn com uma vontade imensa de pegar um carro e dirigir por doze horas infernais para dar um abraço em outra pessoa e dizer "eu estou aqui".



E só o que fica, afinal, é uma vaga incerteza. Uma névoa de dúvidas com uma pitada de dor, que me faz sentir uma idiota por viver as coisas dessa forma.


quarta-feira, 5 de março de 2008

Dispersões ...

Ahh....
os corredores da minha alma:
difusos,
incertos
por certo, inseguros
que guardam desejos , vontades, anseios
proibidos, ardentes, latejantes....
verdadeiros,fortes , reais,
insuportavelmente reais
incansáveis, dolorosos, extasiantes
insuportavelmente extasiantes

ahhh
minha alma ...
Ou simplesmente o que habita dentro desse corpo docemente torturado
Ou simplesmente esse borrão disufo, revolto, perturbado,entorpecido


Ou ainda, Maiara Amorim



Nos últimos dias tenho me sentido (como nos canta Pink Floyd) confortavelmente entorpecida.
Aquele torpor quente, doce, envolvente. Típico de crianças quando ganham aquele doce que estava lá atrás no balcão; aquele que lhes custou as últimas moedinhas do cofrinho (cofrinho este que, não raro, é uma latinha de refri.Bom, o meu era) ; aquele, que dissolve na boca e transforma os segundos em uma eternidade açucarada, única.Aquele doce... simplesmente, aquele.

Talvez seja presunçoso demais comparar o que venho sentindo com uma coisa tão magnificamente pura e simples. Talvez seja mais real comparar-me a alguém que caminha sobre um lago congelado.Alguém incerto a respeito de onde e como dar o próximo passo. Contraditório, não?

Mas talvez... ah, sim... talvez eu seja alguém que caminha sobre um lago congelado enquanto come um doce. Aquele doce.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

 
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