Insight

Descobri que andei a vida inteira com os sapatos trocados, esquerdo no direito e direito no esquerdo. Não importava que estrada eu tomasse, meus pés sempre doíam, cada passo só trazia desconforto e angústia. Até tentei correr, pular etapas e cortar caminhos, mas os sapatos trocados não achavam percurso certo.
Tropeções tomaram proporções gigantescas, eu vivia errante, pisando torto, doída. Minha vida inteira era feita de caminhos de dor.
Não que eu tenha tomado os melhores rumos e que a culpa das dores tenha sido só por conta dos sapatos. Descobri que essa combinação - caminhos ruins e sapatos errados - pode ser fatal. O modo como percorri minhas trilhas quase me deixou perdida entre elas. E nem adiantava seguir as trilhas de pegadas para achar o caminho de volta. Eram tortas.
Descobri que bastava um pouco mais de cuidado, um olhar mais atento aos sapatos e aos caminhos, para que eu saltitasse feliz por entre as mais belas paisagens, que nem sequer eu tinha condições de ver, ante a dor dos pés.
Descobri que era capaz de mudar quando conheci aquela menina do sorriso doce e mãos pequenas. Ela descalçou meus pés, cuidou dos meus calos e me fez crescer. Trilhas certas, sapatos certos.
Aprendi a caminhar pela vida.

~ E ela era uma força da natureza.
A minha janela, trancada a sete chaves, bastou ser levemente aberta - segundos em que eu espiei, de dentro de mim, o mundo lá fora - para que ela, como o vento, como um vendaval, adentrasse por minha sala abafada e arejasse os mofos acumulados pelos cantos.
Não que por algum instante eu tenha desejado me esconder, mas mesmo quando eu tive medo e duvidei se seria certo prosseguir, ela era como uma tempestade. Linda, absurdamente fascinante e envolvente... daquelas com trovejadas que paralisam de encanto, impossível de ignorar, de não ver ou não ouvir - ela era como o som dos pingos d'água reverberando nas coisas, o trovão que abala até as estruturas mais sólidas e o relâmpago que tudo ilumina -  ela tudo tocava, em tudo se fazia presente.
Aquela garota era sim uma força da natureza, uma energia imensurável, uma paisagem perfeita.
Ela me jogou em sua correnteza, me ensinou a percorrer novos rios. E quando tudo parecia tender a um passeio que viraria rotineiro, ela me mostrou  as mais belas cachoeiras e me ensinou a amar de novo todo dia.
Ela é uma força. Uma pulsão vibrante. Uma explosão vermelha dentro dentro do meu cinza.~

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fluxos


~ As pessoas se afastam, amigos deixam de ser amigos, companhias de todo o tempo viram colegas que passam e abanam as mãos. Dificilmente um afastamento entre as pessoas ocorre de modo unilateral. Mais dificilmente ainda, alguém admite isso - o erro sempre é do outro, foi sempre o outro que deixou pra trás, o outro que abandonou, o outro que foi viver coisas mais interessantes e deixou de avisar pra onde ia. Dificilmente paramos para pensar o quanto estamos implicados nessa inequação torta, o quanto também deixamos de lado e vamos viver campos mais verdejantes... Seria tão mais justo se ambas as partes assumissem a responsabilidade de não mais andarem de mãos dadas em amizade por aí. Quem sabe assim, as DUAS partes aprendessem a perdoar, a esquecer, a recomeçar e a reconstruir o que um dia foi tão significativo, mesmo que seja para dar uma nova significação, mas ainda assim de mãos dadas, e não apenas uma lembrança nos álbuns amarelecidos da nossa memória traidora. Sinto falta e sei que não haverá retorno.~


E um dia, você percebe que cresceu.

E lembra que um dia - antes, bem antes, quando a inocência infatil ainda corria solta pela nossa pele e ecoava nos nossos sorrisos - sempre sonhou com esse tão esperado tempo, o tempo de crescer. E se dá conta de que esse tempo chegou de leve, quase disfarçado, afundando as têmporas, marcando o canto dos olhos, modificando os gostos e mudando os rumos da nossa mente e do nosso coração.

Se dá conta, em um espanto, que tomou as decisões mais importantes da sua vida. E, como cresceu, as tomou sozinho, dando a cara a tapa, de peito aberto ao vento. Percebe que o quanto o peso das consequências de suas escolhas pode lhe derrubar, e se lembra tanto do quanto foi forte até agora quanto das vezes em que fraquejou perante o crivo do amadurecimento.

Quase que automaticamente, talvez em um grito desesperado do instinto de sobrevivência, vai se afastando, às vezes sem perceber, de tudo aquilo que um dia te puxou pra baixo, de tudo aquilo que a tua consciência mais clarificada sabe não te auxiliar em nada na tua estrada de crescimento - todo o proveito que ela podia tirar, ela já o fez e agora é hora de seguir em frente.

Um dia você percebe que aquilo que julgava ser o mais essencial da vida, agora não parece isso tudo e que agora existem outras "coisas mais importantes que tudo". Percebe também que isso pode mudar, mais cedo ou mais tarde. Ou não. E então se dá conta que independente do que seja, hoje você tem toda uma construção interior, de vida mesmo,suficiente para que você tropece, reconheça, levante, acerte, reconheça, viva, reconheça, cresça...

Reconhece que a pessoa que você escolheu para dividir os melhores e piores momentos da sua vida é parte integrante desse processo. Percebe que atribuiu para si uma responsabilidade enorme, e sabe que só dará conta dela porque cresceu.

Começa a sentir falta da sensação de querer crescer, da sensação de não estar pronto, de ser alguém que é acolhido, e não que acolhe. Mas, também em um espanto, se dá conta que crescer também é saber fazer essa dança. Vê que dentro de si há espaço para tudo. Crescer é saber equilibrar.





Te amo, Bruna.

terça-feira, 27 de março de 2012

Fênix

30/12/09

Minhas palavras, aquelas que te cuspi na cara com sangue, raiva e amor ferido, tu recebeste com um doentio sorriso do mais puro sádico escárnio. Pior do que isso, numa fração de segundo depois tu transformaste esse escárnio em sádica satisfação.
Ao me expor pra ti, ao me admitir infestada da pior forma possível pelo veneno pegasojo a que tu chamas teu encanto,o primeiro brilho que transpassou teus olhos e reverberou no teu sorriso foi o do mais pleno triunfo, a mais profunda satisfação, o mais doce orgasmo psíquico diante da minha impotência.Perversa, é isso que tu és.Simples, seco e cru assim, nada além disso:Perversa. Você não merece a minha dor.

"Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas." (*)




_____________________________________________________
08/05/10

Eis que entra na Rua Das Ilusões Perdidas um homem. Ou Aquilo-Que-Restou-De-Quem-Um-Dia-Foi-Feliz, como foi rebatizado ao atravessar os limites daquela rua estreita e íngreme.
Passou a mão calejada pelo rosto duro, amaciou a barba por fazer e,lentamente,caminhou pela subida que os olhos não alcançavam o fim.Quando seus pulmões enegrecidos de cigarros baratos já ardiam feito brasa pelo esforço em demasia e o frio entrecortante, avistou o que parecia ser um bar.Entrou.
Em contraste ao ambiente em volta, sombrio, frio e incontestavelmente miserável, o bar era bonito,arrumado, luminoso e emanava uma espécie de aura quente e reconfortante. Seus ocupantes, por outro lado, pareciam vestir uma couraça pesada,feita com suas próprias dores. Andavam curvados,eram magros,mal cuidados e seus olhos fundos traziam toda a tristeza do mundo. O homem enfiou as mãos nos bolsos do casaco e sentou em uma mesa ao fundo.Algumas doses de vodca mais tarde,viu-se conversando com uma mulher:

- ... quem diz que é difícil abrir novas portas na sua vida está mentindo. Não é difícil, achar novos caminhos, abrir portas, olhar pra novos desafios e condutas. Pode ser até trabalhoso, mas não é exatamente difícil. Difícil é sair daquele caminho que já te sugou todas as forças, fechar a porta que dá acesso a ele, jogar a chave fora e, de fato, seguir por um outro caminho – não só olhar pela porta aberta.Isso é difícil e honroso.
- E você já jogou sua chave fora?

Ele encarou a mulher, visivelmente mais velha, com suas feições magras, frágeis,fundas e sujas. Sentiu o próprio rosto afundando lentamente e os ossos pontudos a machucarem a pele.

- É o lugar. Quem vai se entregando vai sendo consumido por ele. Ele se alimenta de esperança.Olhe só para você... dá pra farejar o restinho dela que ainda resta em ti. Vá embora, logo. Antes que você sinta que pertence a esse lugar. Quando sentir que você pertence às coisas rasteiras e sujas, delas você já será objeto, já fará parte desse ninho fétido.
- E o que você ainda faz aqui?
- Eu já pertenço à dor. Corre, te resta pouco tempo.


O homem levantou-se da mesa, sentindo as pernas pesarem feito chumbo. Com esforço, se arrastou até a saída, com o ar a queimar-lhe os pulmões. Lá fora, caiu na calçada suja respirando aliviado a brisa fresca que corria,chorando profusamente.Apenas muito tempo depois juntou forças, levantou e caminhou para os limites da Rua. No peito, apenas a vaga esperança de encontrar na saída, uma mão que o guiasse.





(*) Cecília Meireles - Canção [trecho]

domingo, 25 de julho de 2010

You bury me alive

"All I did was love you, now I hate the nightmare you've become."


~ Desistiu.
Deixou as pernas cederem ao cansaço, encolheu os ombros sob o peso das batalhas perdidas,guardou a espada cega que trazia em punho e sentou-se no chão frio. Olhou então, para trás e contemplou a estrada que tinha optado seguir há pouco mais de um ano.Quase não reconheceu os percalços, as pedras, os espinhos e as escassas flores,de tão cansados que estavam seus olhos.

Aquela estrada, aquela mísera fração da sua vida, parecia ter o peso de mil existências. Sentada no chão, ela percebeu que tempo e quantidade pouco tem relação com intensidade e qualidade. Esse um ano e cinco meses, esses mais de 500 dias, foram mais do que suficientes para destroçar tudo, mas nem de longe o suficiente para reconstruir nem que fosse uma trincheira, um buraco no chão onde ela pudesse se proteger.Ela optou por pegar tudo o que era e jogar numa existência limitada, numa vivência efêmera, naquela estrada sedutora que a princípio não parecia tão ínfima. E foi feliz.

Mas não mais. Agora até as coisas mais básicas como respirar e andar parecem difíceis, como se todo o aprendizado, toda a essência não passassem de uma lembrança machada de tempos ensolarados. Nada do que ela foi um dia está inteiro e ela não sabe mais como viver.Na estrada, pelas esquinas e imensas depressões do caminho, os pedaços de sua existência machucada e desprezada murcham ao chão daquele solo morto e completamente infértil.

Olhou pra espada, seu único instrumento para abrir a mata fechada à sua frente, fazer uma nova estrada e uma nova existência.Uma espada cega.Nada de atalhos ou caronas, o caminho tinha que ser feito unicamente por ela, sozinha, com um instrumento completamente frágil diante da selva brava à sua frente.Respirou fundo, sentindo arder os pulmões. Respirar doía. Viver doía.Levantou. ~



Quando a dor é recente, ela é concentrada. Você consegue enxergar a ferida,que coisas afetam diretamente ela,o que evitar e às vezes, como anestesiar um pouco. Quando a dor é antiga, ela se enraiza. Daquelas raízes que não tem uma principal,axial, é toda espalhada.Fica difícil enxergar pontos claros, fontes de mágoas, feridas não fechadas. Tudo dói. Tudo incomoda. Tem um pedaço de dor em cada canto, o corpo inteiro responde, a cabeça dói, o estômago queima,a energia fica baixa. É quase impossível fugir, anestesiar, esquecer. É uma sombra ali todo o tempo contigo,até no escuro.É tão presente que você quase crê que vai viver com aquilo dentro de ti pelo resto da vida. Talvez viva. A dor vira uma corrente enorme, com elos de titânio ardente que se multiplicam e crescem em todas as direções.Pesa nos punhos,nos olhos, nas costas.Na alma.
Não existem mais uma ou duas palavras que machucam, um ou dois atos que cutucam a ferida e a faz sangrar de novo. É só essa coisa suprema, onipresente. Dor. Tanto que às vezes ela mesma se anestesia.E aí, a floresta fechada na sua frente parece abrir mais um pouquinho. Pela dor você caiu e é por ela que vai conseguir levantar.



"I've tried so hard to tell myself that you're gone
but though you're still with me
I've been alone all along."




domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sobre amor e fazendas

"Eu te disse que estava cansado de cerzir aquela matéria gasta no fundo de mim, exausto de recobrí-la às vezes de veludo, outras de cetim,purpurina ou seda - mas sabendo sempre que no fundo permanecia aquela pobre estopa desgastada."

Estive pensando sobre sentimentos, atitudes, sonhos, amor e tudo o mais que se pode encaixar nessa lista. Estive pensando sobre a validade disso tudo. Pensando sobre a linha universalmente ignorada que diz "até aqui é válido; até esse ponto crítico da beirada do precipício você pode andar sem temer cair; até aqui vale a pena." Pensando sobre a regra de três inversamente proporcional você X outra pessoa, composta por dedicação versus retorno, também conhecida por amor explodindo pelos poros versus capacidade de valorização/absorção, ou ainda alma posta na bandeja versus disposição para cuidar dessa alma entregue.

"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso."

Estive pensando sobre uma conversa que surgiu numa mesa de bar. Sobre pessoas e relacionamentos. Sobre como cada pessoa percorre o caminho pré e pós envolvimento sério.Ou "sério", whatever. Sobre a metáfora feita por uma amiga pra descrever isso. Sou do tipo de pessoa classificada como "que aprecia o caminho, mas costuma percorrer ele rápido. Aprecia mais criar o ninho, arrumar a casa". Usando a metáfora do dia, sou daquelas que : aprecia o caminho até a fazenda. Quando chega lá, arruma mesmo o lugar, como para passar o resto da vida. Cerca o terreno, levanta a casa, põe a mobília, planta as árvores, compra o gado e põe tudo pra funcionar.

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."

Quando tudo tá em ordem na fazenda, a outra parte que dormiu na rede trançada à mão, tomou do leite ordenhado na madrugada por mim,usufruiu de tudo que o terreno pode dar, resolve se mudar - vai pra cidade. E então, eu demoro pra conseguir me desfazer da fazenda. Cada gota de suor marcada em cada tijolo da casa vira uma lágrima quente. Depois de muita luta, a fazenda foi demolida - nem posta à venda, demolida - e nada em mim está no seu devido lugar. Foi demolido junto.

"Repito sempre : sossega, sossega - o amor não é pro teu bico."


Estive pensando sobre as pessoas que nem ao menos se dão ao luxo de pensar sobre fazendas. Estive pensando sobre a ironia sádica disso tudo. Estive pensando em ser como uma dessas pessoas, que não pensam em fazendas e apenas apreciam o caminho, olhando pro lado, pro caso de ter um caminho mais atrativo.Estive pensando...
Mas eu não sou assim, não seria eu se fizesse isso, se agisse assim. Sou fã das fazendas, ainda que todas elas me tenham custado pedaços valiosos de sanidade, confiança e amor-próprio.
Estive pensando...

"Mas não é verdade que nunca tivesses suspeitado desta tarde e desta fome: não é verdade que por um momento sequer tivesses tentado fugir à tua trágica determinação: não é verdade que alguma vez tivesses sequer pensado numa possibilidade de salvação: sabias desde o começo da consistência ácida do que tecias, e no entanto persistias nela, como quem penetra num beco sem saída, caminhando pela estreita dimensão que sabias desde sempre intransponível: sim, tu sabias deste momento a construir-se desde o começo, e não fizeste nenhuma tentativa de evitá-lo: agora é necessário que enfrentes: embora talvez não soubesses do depois deste momento que se faz agora e portanto não possas estar preparado para o próximo momento: mas deste sabes: tudo se encaminhou para ele, e já não podes fazer mais nada, a não ser enfrentá-lo: tens ainda no peito a chama que te consumia nessas noites paradas de verão: tens ainda o que convencionaste chamar de força: tens ainda todas as partículas de tua determinação: tens ainda a tua integridade, embora saibas que ela pode te destruir: pois então toma dessa fibra que a si mesma se construiu em solidão sob teu olhar espantado e impassível: toma dessa fibra feita de algo tão denso quanto o ódio: toma do teu ódio: e agora enfrenta."


Todos os trechos em vermelho são dele, Caio Fernando Abreu.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

No hero in her sky.

Por algum motivo cármico, as portas que têm surgido na minha vida se fecham com a mesma rapidez que se abriram. Mas eu não estou com pressa, tenho me divertido em ver cada detalhe das diferentes madeiras, cada ponto que mais brilha das maçanetas. Inexplicavelmente calma diante de tudo que aconteceu e está acontecendo, me sinto andando sobre um lago congelado, sem o doce dessa vez [vide esse post,senão não faz sentido.]. As coisas continuam as mesmas, mas tudo está diferente. Não sei como isso é possível, mas é assim que tenho me sentido. Tudo igual mas tudo essencialmente diferente.
Quero meu doce de volta, aquele lá atrás do balcão.



~ A mulher bêbada falava sozinha no balcão sujo do bar.Eu não estava exatamente próxima,mas podia ouvir com clareza cada palavra que ela dizia.
"Eu fico pensando na pessoa que eu costumava ser e na vida que eu costumava chamar de minha. Olho pra ela, pra minha vida, e ela tá lá, deitada no chão com as pernas dormentes. Eu tento catá-la com as mãos, mas assim que eu a toco... ela se quebra, se parte em duas. Daí eu tento mais uma vez, e outra, e outra. E a minha vida, ou o que era pra ser minha vida, ou o que sobrou dela, sei lá, agora está toda quebrada, partida em vários pedaços disformes. Eu me abaixo, tento organizar tudo de novo, mas tá tudo uma bagunça, nada se encaixa. E então eu percebo... percebo que as coisas nunca serão as mesmas novamente e que eu jamais vou conseguir pregar as peças no lugar. Percebo que aquilo que eu fui vai continuar no passado, e que eu preciso me remontar. As coisas nunca serão as mesmas, preciso me reiventar, me remontar, criar um novo padrão, uma nova seqüência para as partes que estão ali jogadas no chão. [suspirou e então cantarolou] : 'Logo agora que eu parei,parei de te esperar,de enfeitar nosso barraco,de pendurar meus enfeites te fazer o café fraco.Parei!De pegar o carro correndo,de ligar só prá você,de entender sua família e te compreender...Hoje eu sozinha...'
Agora, eu sinto que as pernas da minha vida estão começando a deixar a dormência de lado. Ela continua lá, toda moída em pedacinhos, mas pelo menos as pernas estão dispostas a retomar sua função. exausta. Exausta de construir e demolir fantasias, como diria Caio Fernando.Exausta."
Saí do bar com um gosto acre na boca. Tive medo de olhar pro chão e ver ali minha vida. Olhei então pro céu. ~


Pra deixar esse devaneio completo, é preciso reler esse post. Quem quiser, claro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nothing worth fighting for

Carta de uma suicida passional:


Odeio o fato de dormir mal sem você. Odeio o fato de que vestir uma das tantas roupas suas que estão aqui por casa me conforta e acalenta. Odeio o jeito que você tenta me proteger, tenta não me magoar. Odeio quando você omite coisas, quando eu passo a duvidar de tudo o que você diz, uma vez que o que você fala não condiz com o que faz [e automaticamente, com o que sente].Odeio o jeito que você manipula o meu gostar por você. Odeio quando eu propositalmente faço um doce e depois cedo, e tenho que te aturar dizendo que "consegue tudo o que quer". Odeio o fato de você não enxergar que eu te leio e que eu apenas finjo pra mim mesma que não sei das coisas. Odeio o fato de todas as vezes que sorrio, olhar pros lados pra ver se você achou graça também, mesmo quando você nem está por perto. Odeio olhar pros lugares e sentir arrepios,só de nos imaginar ali. Odeio ter que minar todos os meus sonhos, porque você não está pronta pra isso. Odeio saber que no meu futuro não existe "nós". Odeio ter que ser a garota "tudo bem", pegar o sentimento, amassar ele todinho e enfiar bem fundo, pra então viver nossa história confusa e complicada. Odeio quando você me pede desculpas por coisas que não estão em seu controle. Odeio ficar sabendo de certas coisas pela tua página de recados. Odeio quando eu deixo pra lá, e mesmo você estando errada, eu corro atrás de ti. Odeio quando você está errada e sempre dá um jeito de ficar dou outro lado da história, e termina comigo te bajulando pra não ir embora. Odeio quando você não percebe o esforço que fiz pra ir pra tua casa, a gasolina pouca e cara, o tempo que foi investido. Odeio quando você não percebe...

Mas, acima, além, por e para tudo isso, eu te amo.




~ Montou uma corda com todos os sonhos, sentimentos lacrados, frases ditas e não reconhecidas, atitudes em vão e planos. Enforcou-se ao pôr-do-sol, na varanda onde ficava pensando na sua amada. ~

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

 
Instintos Dissonantes | Designed by Techtrends | © 2007-2008 All rights reserved