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Olhando para o mar e toda aquela negritude da noite sem estrelas, sentiu o vento frio do litoral chuvoso levar para longe toda a angústia presa. Talvez não para tão longe assim, mas para algum terreno inacessível e cercado, fechado para visitações naquele momento específico.
Se tinha uma coisa que ela gostaria de fazer naquela hora, era transmissão de pensamento. Telepatia mesmo, para poder dividir aquela ocasião com alguém em especial.Mas como isso estava além do seu alcance, limitou-se em imaginar e a sentir, coisas que por sua vez já são uma viagem e tanto por outros planos e dimensões.Bom, pelo menos para quem se lança.
Deitou-se na areia úmida, rindo do efeito tardio do vinho barato. E ficou assim, lembrando do dia chato que transcorrera pelo cinza do céu.Ao seu lado, pessoas igualmente revoltadas com a monotonia do dia, agora bêbadamente dançando na areia. Sorriu e pensou:
E um dia, você encontra pessoas.
E então, passa a dividir momentos com elas.
E aquelas pessoas, que um dia não passavam de sombras no meio da multidão, agora adentram teu mundo, pintam teus dias e fazem parte das tuas orações.
E mesmo quando ainda estamos naquela limitação tímida dos recém-cativados, naquela linha tênue entre amizade em potencial e amizade consolidada, cantamos juntos a mesma música.
[o que mais tarde, virou uma mensagem pessoal ^^]
Sim, estava ali numa tímida limitação de recém-cativada, dançando frevo sobre a linha da lucidez/sanidade , trôpegamente andando na margem da lagoa das amizades nascentes. E como não havia monstro nenhum na lagoa [referência INEVITÁVEL ao livro O Caçador de Pipas], resolveu mergulhar de vez.
É bom dividir os viveres.
Sobre permanecer
Há 7 anos