Vazio.
Parece que tudo sumiu. Implodiu.É, implodiu... porque desmoronou e ficou aqui dentro.Ruiu, quebrou,dissolveu... pra dentro.Antes tivesse explodido.Assim, estrondosamente, pra fora.Talvez assim, não ficasse nenhum resquício, nenhum tijolo quebrado,nenhum pedaço de armação... a mesma armação que antes segurava toda a estrutura. Antes tivesse explodido... com direto a nuvens de fumaça e, quem sabe, até a um cogumelo atômico.Assim, todo mundo veria... e eu poderia ficar em silêncio.Assim, eu poderia gritar, pois o som da explosão abafaria, e ninguém ia escutar -eu permaneceria em silêncio, mas gritaria.
Mas não explodiu.
Implodiu. E o som foi seco,quase de sucção. E tudo, absolutamente tudo, se espalhou dentro de mim.A nuvem de fumaça que não saiu, agora chove estilhaços torrenciais.A explosão que não se ouviu, agora ressoa aqui dentro e eu não posso mais gritar, pois me ouviriam.Agora, não há silêncio e sim um grito interno (absurdo, doído, enlouquecedor). O possível cogumelo atômico mostrou-se um verdadeiro baobá - aquelas árvores enormes, que se enraízam, que tomam de conta... [que acabariam o planeta do Pequeno Príncipe] .
{Afastei pros lados o entulho e olhei. Lá no fundo uma coisa pulsava lentamente. Parecia ferido, assustado...Consegui apoiar minha perna por cima de um monte de fragmentos coloridos e entrei mais fundo (depois reparei que não era um monte de fragmentos. Era um monte de sonhos. Mas daí lembrei que isso não fazia mais diferença. Eram pedaços de sonhos rasgados, ou seja, eram fragmentos.Segui adiante). Ah, lá estava ele. Agora podia tocá-lo. "Ohhh... você resistiu! Nãoprecisa mais temer, porque agora estou aqui.Lá fora não é mais seguro.Talvez nunca tenha sido."
E me deitei, encolhida entre todos os escombros, com meu coração nas mãos}
~ E a única evidência externa, se resume em lágrimas. ~