Irreversível
Toscamente talhado por Mai Amorim às 01:38 0 outras dissonâncias
Trapos
Quanto mais você olha para dentro do abismo, mais o abismo olha para dentro de você. Assim nos dizem que disse (mais ou menos) Nietzsche. Mas e quando você é o próprio abismo? Trevas pra trevas, papo reto ali, tudo certo. Quites. O caos que habita em certas esferas não tem data de início e nem tampouco prazo de validade. Ele só existe ali, soberano, inspirando enquanto se expira, a pele por debaixo da pele, a opacidade por detrás do brilho dos olhos. Ele comanda tudo que você ousa tocar, jamais te fazendo esquecer que ele estará de mãos dadas contigo para sempre. Toma tua sina.
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Toscamente talhado por Mai Amorim às 01:27 0 outras dissonâncias
Entraves
- Eu tô cansado, cara. Sabe, eu já me perdi tanto de mim nessas trilhas da vida, já me metamorfoseei em tantas coisas para me adaptar... Adaptar ou encaixar? Ah, não sei... é diferente, será? Enfim, para me adaptar ao que estava na minha frente que eu olho pra mim e não sei o que é meu, o que foi mexido, o que eu construí, o que construíram em mim... Viver é isso mesmo?
- Não, não acho que seja. Acho que vida é troca. E nessa troca, às vezes a gente soma, às vezes subtrai, às vezes multiplica. Às vezes joga fora algo que não era tão legal e aprende uma nova forma e às vezes aprimora o que gente já tinha. Mas sabe, meio que num equilíbrio, saca?
-Ah, bicho! E tu vai me dizer que a gente consegue separar até onde é equilibrado e quando a gente já passou do limite do que é caro pra nós? Pffff, conta outra! A gente jura de pé junto que não tá se sabotando. Que não tá mudando pra tentar suprir a um ideal externo. Que tá fazendo tudo em plena consciência. A gente aperta o botão na mente "estou ciente e quero continuar" igualzinho faz nos sites: leu porra nenhuma dos termos, só quer passar pro próximo nível.
- Não, cara. Tu tem que ter o mínimo de senso de conhecimento pessoal, pô. Senão tu te perde...
- Mas não é isso que tô falando, pô? A questão é cadê esse conhecimento? Como é que a gente tateia o que de fato é nosso? Pode ver, só depois que o caldo entorna que tu vai ver os limites que tu ultrapassou, a pessoa que tu tentou ser... Ah, eu tô exausto... Exausto de nem sequer saber quem sou eu mesmo no final das contas.
- Acho que a gente é tudo isso aí, sabe. Não dá pra separar. A gente é a síntese disso tudo, de todos os processos pelos quais passamos, os bons e os ruins. Às vezes a gente se perde mais, às vezes menos... Tem coisa que custa mais da nossa reserva de energia, da nossa capacidade de se flexibilizar. Sabe, tipo uma mola!
- Mas tu sabe que até a mola tem um limite, né? Um limite que aguenta ser deformada e retornar à sua forma original. Quando passa disso, crec, deforma e não volta mais.
- Mas quem sabe aí não seja uma coisa tão ruim não voltar ao seu estado original né. É uma nova forma de existir...
- Uma nova forma que não tem mais a serventia que se propunha, idiota! Pra que serve uma mola deformada?
[silêncio]
- Sei lá, cara. Quem disse que tem que ter uma serventia? A gente não é mola. Não é objeto com uma finalidade.
- Quem fez a comparação com mola foi tu primeiro.
[mais silêncio]
- Viver não tem manual. É isto. E sabe, a gente não tem que entender nada não. A vida não faz sentido, ela faz sentir. Põe um passo atrás do outro e segue, cara, o negócio é seguir. A vida muda todo dia, não tem como achar lógica nisso.
- A vida faz sentir...
domingo, 2 de junho de 2019
Toscamente talhado por Mai Amorim às 13:30 0 outras dissonâncias
Suspiro
Eles bradam:
O amor está no grito dado aos quatro cantos do mundo. Está no estardalhaço causado no meio da rua. Nas declarações marcadas em cada muro da cidade.
Eu sussuro:
O amor está no silêncio do escuro do quarto. No compasso dos corações.
Dava de ver tua costa subindo e descendo devagar com tua respiração profunda e densa, aquela que tu faz quando está completamente relaxada. A boca semi aberta num esboço de sorriso, a expressão de leveza e segurança. Tirei a mecha de cabelo que caíra por cima de teus olhos e pus por detrás da orelha com cuidado, pra não romper com teu sono.
Eles afirmam:
O amor reside nos grandes sacrifícios. Repousa nos braços da resignação.
Eu sinto:
O amor mora na leveza. Nasce na simplicidade daquilo que flui, cresce na caminhada cotidiana e descansa no refúgio da cumplicidade.
Agora dava de ver perfeitamente o caminho do teu rosto. Sabe, cabe um universo de sensações descendo nessa trilha - sobrancelhas, olhos, nariz, boca, queixo - e eu poderia morar nele o resto da vida. Cheguei mais perto de ti, tocando meu rosto no teu, bem naquele lugar que a gente se encaixa perfeitamente e onde tu tem um cheiro diferente, especial, todo teu. Respirei bem devagar e fui sendo preenchida pouco a pouco com teu aroma.
Eu vivo:
O amor está no toque, no sorriso arrancado quando menos se espera. Está também na pele, no desejo que acende e queima, nos corpos pulsantes. O amor está onde a gente se complementa, acrescenta, soma - e não simplesmente completa, como partes soltas que se juntam. Está em nós. Vem comigo?
quinta-feira, 30 de maio de 2019
Toscamente talhado por Mai Amorim às 00:27 0 outras dissonâncias
Incertezas
Teu olho despencou de mim
domingo, 24 de março de 2019
Toscamente talhado por Mai Amorim às 22:58 0 outras dissonâncias
Enlaces
sábado, 4 de agosto de 2018
Toscamente talhado por Mai Amorim às 22:53 0 outras dissonâncias
Amor acobreado
Então,você repara ao seu redor e percebe que além do trilho há uma trilha de seixos e grama, há um campo de girassóis, há uma relva mais adiante... Há caminhos. Não há um melhor ou pior que outro, há apena aquilo que te envolve e te toca.
domingo, 18 de março de 2018
Toscamente talhado por Mai Amorim às 15:27 0 outras dissonâncias




