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Toscamente talhado por Mai Amorim às 22:53 0 outras dissonâncias
Amor acobreado
Então,você repara ao seu redor e percebe que além do trilho há uma trilha de seixos e grama, há um campo de girassóis, há uma relva mais adiante... Há caminhos. Não há um melhor ou pior que outro, há apena aquilo que te envolve e te toca.
domingo, 18 de março de 2018
Toscamente talhado por Mai Amorim às 15:27 0 outras dissonâncias
Maré alta
Aprendeu que há diversas formas de se trilhar o caminho, e que nenhuma é melhor ou mais importante do que a outra, todas tem sua beleza. E, talvez o mais importante, aprendeu que chegar na fazenda não significa o fim do caminho, agora ela vai e vem, ora na fazenda, ora apreciando as belezas do caminho. Ambos não se dão mais por finalizados, estão em constante mudança e crescimento.
domingo, 20 de agosto de 2017
Toscamente talhado por Mai Amorim às 19:04 2 outras dissonâncias
Evoluções
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Toscamente talhado por Mai Amorim às 23:28 0 outras dissonâncias
O que importa?
31/08/2014
Não importa.
Tu podes acordar todos os dias antes mesmo do sol raiar dissolvendo a bruma e ir deitar tua cabeça no travesseiro altas horas da madrugada, que ainda assim não terá tempo hábil para dar conta das coisas.
Não importa.
Tu podes tecer o mais belo cobertor para aplacar o frio de alguém em especial com os fios da tua própria sanidade e integridade mental, que nunca será suficiente.
Não importa.
Tu podes abrir mão de tudo o que um dia julgaste importante ou parte constituinte de um algo maior a que você costumava chamar personalidade/subjetividade (ou qualquer uma outra baboseira que no final das contas não passa de doce ilusão) para se empenhar em outras jornadas, que isso nunca, nunca será nem de perto suficiente ou valoroso.
Não importa.
Não importa o quanto corras, não importa o quanto chores, não importa o quanto cresças, não importa o quanto te julgues coerente em teus atos, não importa se depreendes toda a tua energia para fazer algo acontecer, não importa se não sonhes, não importa se sonhas, não importa se sentes dor, não importa se te comprazes com isso ou aquilo.
No final das contas, nada importa, tu sempre vais falhar em algo. Estás fadada a ser eternamente incompleta, eternamente aquilo que tinha tudo para ser e não foi. E isso será o melhor que conseguirás fazer. Tua caminhada anterior não importa, ela se define segundo a segundo, falha a falha. Tu passarás a vida inteira andando em uma esteira que corre no sentido contrário.
Não importa.
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14/04/2017
Na verdade, importa.
Ou, pensando melhor, você é que define se importa ou não. Aprende que existem duas coisas bem distintas que costumamos mesclar e enxergar de forma indistinta: aquilo que é seu mundo interior e aquilo que você traz de fora, o mundo fora do seu mundo que você acredita piamente que faz parte de quem você é.
Então, quando a medida passa a não mais ser externa, não mais ser o outro, quando o outro é processo e não finalidade, tudo isso importa. Cada coisa com seu peso, claro. Estou dizendo que você é o centro de todo o universo e o outro que se exploda? Não exatamente. É mais no sentido de que o modo como enxergamos e lidamos com as coisas tem consequências na forma como isso reverbera em cada minuto do nosso dia. Obviamente que não há certo e errado, porque cada estrada é singular e funciona diferente pra cada um. A diferença é quando você consegue perceber que tipo de passo está dando, que tipo de material está usando para fazer a caminhada - se eles tornam ela mais fácil, são adequados, ou se tornam o caminho mais difícil de ser trilhado.
Ou seja, é você.
Abandonar padrões de comportamentos é uma tarefa árdua e nem sempre você está preparado para isso. Existem coisas que passam uma vida inteira funcionando pra gente, até que chega uma hora que puf, não funciona mais. Aprender novos parâmetros não é simples, ainda mais quando caímos na fácil armadilha que é crucificar o que passou. A culpa consome, deixamos de enxergar o crescimento que tivemos, deixamos os sentimentos turvos.
Viver é um eterno construir e reconstruir. E tudo, tudo importa.
domingo, 31 de agosto de 2014
Toscamente talhado por Mai Amorim às 15:36 0 outras dissonâncias
Insight
Tropeções tomaram proporções gigantescas, eu vivia errante, pisando torto, doída. Minha vida inteira era feita de caminhos de dor.
Não que eu tenha tomado os melhores rumos e que a culpa das dores tenha sido só por conta dos sapatos. Descobri que essa combinação - caminhos ruins e sapatos errados - pode ser fatal. O modo como percorri minhas trilhas quase me deixou perdida entre elas. E nem adiantava seguir as trilhas de pegadas para achar o caminho de volta. Eram tortas.
Descobri que bastava um pouco mais de cuidado, um olhar mais atento aos sapatos e aos caminhos, para que eu saltitasse feliz por entre as mais belas paisagens, que nem sequer eu tinha condições de ver, ante a dor dos pés.
Descobri que era capaz de mudar quando conheci aquela menina do sorriso doce e mãos pequenas. Ela descalçou meus pés, cuidou dos meus calos e me fez crescer. Trilhas certas, sapatos certos.
Aprendi a caminhar pela vida.
~ E ela era uma força da natureza.
A minha janela, trancada a sete chaves, bastou ser levemente aberta - segundos em que eu espiei, de dentro de mim, o mundo lá fora - para que ela, como o vento, como um vendaval, adentrasse por minha sala abafada e arejasse os mofos acumulados pelos cantos.
Não que por algum instante eu tenha desejado me esconder, mas mesmo quando eu tive medo e duvidei se seria certo prosseguir, ela era como uma tempestade. Linda, absurdamente fascinante e envolvente... daquelas com trovejadas que paralisam de encanto, impossível de ignorar, de não ver ou não ouvir - ela era como o som dos pingos d'água reverberando nas coisas, o trovão que abala até as estruturas mais sólidas e o relâmpago que tudo ilumina - ela tudo tocava, em tudo se fazia presente.
Aquela garota era sim uma força da natureza, uma energia imensurável, uma paisagem perfeita.
Ela me jogou em sua correnteza, me ensinou a percorrer novos rios. E quando tudo parecia tender a um passeio que viraria rotineiro, ela me mostrou as mais belas cachoeiras e me ensinou a amar de novo todo dia.
Ela é uma força. Uma pulsão vibrante. Uma explosão vermelha dentro dentro do meu cinza.~
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Toscamente talhado por Mai Amorim às 11:33 0 outras dissonâncias
Fluxos
~ As pessoas se afastam, amigos deixam de ser amigos, companhias de todo o tempo viram colegas que passam e abanam as mãos. Dificilmente um afastamento entre as pessoas ocorre de modo unilateral. Mais dificilmente ainda, alguém admite isso - o erro sempre é do outro, foi sempre o outro que deixou pra trás, o outro que abandonou, o outro que foi viver coisas mais interessantes e deixou de avisar pra onde ia. Dificilmente paramos para pensar o quanto estamos implicados nessa inequação torta, o quanto também deixamos de lado e vamos viver campos mais verdejantes... Seria tão mais justo se ambas as partes assumissem a responsabilidade de não mais andarem de mãos dadas em amizade por aí. Quem sabe assim, as DUAS partes aprendessem a perdoar, a esquecer, a recomeçar e a reconstruir o que um dia foi tão significativo, mesmo que seja para dar uma nova significação, mas ainda assim de mãos dadas, e não apenas uma lembrança nos álbuns amarelecidos da nossa memória traidora. Sinto falta e sei que não haverá retorno.~
E um dia, você percebe que cresceu.
E lembra que um dia - antes, bem antes, quando a inocência infatil ainda corria solta pela nossa pele e ecoava nos nossos sorrisos - sempre sonhou com esse tão esperado tempo, o tempo de crescer. E se dá conta de que esse tempo chegou de leve, quase disfarçado, afundando as têmporas, marcando o canto dos olhos, modificando os gostos e mudando os rumos da nossa mente e do nosso coração.
Se dá conta, em um espanto, que tomou as decisões mais importantes da sua vida. E, como cresceu, as tomou sozinho, dando a cara a tapa, de peito aberto ao vento. Percebe que o quanto o peso das consequências de suas escolhas pode lhe derrubar, e se lembra tanto do quanto foi forte até agora quanto das vezes em que fraquejou perante o crivo do amadurecimento.
Quase que automaticamente, talvez em um grito desesperado do instinto de sobrevivência, vai se afastando, às vezes sem perceber, de tudo aquilo que um dia te puxou pra baixo, de tudo aquilo que a tua consciência mais clarificada sabe não te auxiliar em nada na tua estrada de crescimento - todo o proveito que ela podia tirar, ela já o fez e agora é hora de seguir em frente.
Um dia você percebe que aquilo que julgava ser o mais essencial da vida, agora não parece isso tudo e que agora existem outras "coisas mais importantes que tudo". Percebe também que isso pode mudar, mais cedo ou mais tarde. Ou não. E então se dá conta que independente do que seja, hoje você tem toda uma construção interior, de vida mesmo,suficiente para que você tropece, reconheça, levante, acerte, reconheça, viva, reconheça, cresça...
Reconhece que a pessoa que você escolheu para dividir os melhores e piores momentos da sua vida é parte integrante desse processo. Percebe que atribuiu para si uma responsabilidade enorme, e sabe que só dará conta dela porque cresceu.
Começa a sentir falta da sensação de querer crescer, da sensação de não estar pronto, de ser alguém que é acolhido, e não que acolhe. Mas, também em um espanto, se dá conta que crescer também é saber fazer essa dança. Vê que dentro de si há espaço para tudo. Crescer é saber equilibrar.
terça-feira, 27 de março de 2012
Toscamente talhado por Mai Amorim às 16:40 1 outras dissonâncias



