O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...
As coisas são assim
E se será, será
Prá ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
(...)"
Ele nunca foi bom com as palavras quando se tratava de sentimento; na verdade, achava-as um tanto quanto desnecessárias em certas circunstâncias. Talvez porque sua vida fosse muito conotativa e ele nunca se importara em legendar sentimentos.Talvez porque tivesse se doado por inteiro àquela que agora cobrava palavras, e uma vez tendo feito isso, se julgava transparente o suficiente para que não precisasse valer-se de um artifício tão HUMANO como as palavras para descrever uma coisa tão SUBLIME como sentimentos.Claro que verbalizava algumas coisas. Claro que sabia o valor de um sentimento expresso, de um "te amo" sussurado ao ouvido, de um "você é muito importante para mim", olhado nos olhos... mas vejam que não só só palavras.Essas mesmas frases ditas sem aquele tremor de voz característico, sem aquele brilho no olhar, sem aquela perda de fôlego quase imperceptível, não seriam nada mais do que frases soltas.E foi preciso, necessariamente, que se dissesse cada sentimento vivenciado, para que se verdadeiramente sentisse??
Ok,ok... talvez ele tivesse tentando achar argumentos para justificar uma grande falha: essa incapacidade de falar as coisas. Pensava exatamente tudo isso quando veio à sua cabeça uma série de cenas, beijos, toques, olhares, sorrisos, corpos, almas... olhou para a amada que continuava a encará-lo, indignada com aquele silêncio e confusa pelas poucas palavras que ele articulou. E, num beijo,disse que a amava mais que tudo. Com o toque nas costas dela, disse que sem ela não saberia viver.Com a língua a acariciar os lábios dela, disse que ele nunca a deixaria, e que a eternidade os aguardava.Com o corpo colado no dela, disse que tinham um futuro. E ela sorriu junto com ele.




