Pieces

You can leave the world you live in cause inside / you may not remember /that something waits for you to breathe again.

[Eu sempre espero]

Nunca mais eu tinha escutado tanto Evanescence.Claro que tinha que ser Imaginary, trocentas vezes explodindo no som aqui e fazendo minha dor de cabeça dançar salsa aqui dentro. E claro que tinha que ser a versão do Not For Your Ears.
Nunca mais eu tinha pensado sobre algumas coisas.Claro que eu tinha que ficar estranha, meus olhos ficarem opacos e meu maxilar travado.
Nunca mais eu tinha viajado dentro de mim tão profundamente.Que piada louca.
Eu só estou pensativa. Não sei o que é ao certo ainda. Nem pretendo descobrir, se quer saber a verdade...


~ Ela encostou a cabeça no vidro frio. Fechou os olhos com força. Será que era besteira dela desejar que não tivesse que agir do modo que todos esperam que ela agisse?Preencher um papel que bordaram, evitar falar o que pensa e sente para que "tudo" ficasse "bem"...era egoísmo dela querer que a olhassem sob outra ótica que não fosse aquela em que ela já tinha uma linha a seguir? Estaria ela fazendo uma tempestade num copinho de café? E se ela fosse fraca e covarde, e toda a fortaleza não passasse de fachada? Um copinho de café pode se tornar um oceano...
O som do freio de mão sendo puxado a tirou das divagações. Ouviu vagamente alguém dizendo "Vamos, Lyn! Você é demais, sabia?" e foi fazendo as coisas que a mente já estava treinada a fazer. Cumpriu seu papel, passou pelas mesmas situações que tanto a sufocavam. Em sua mente, brigou com as pessoas que queria brigar, levantou-se da mesa, pegou a chave do carro e foi embora.Mas ela era fraca. Fraca e covarde. Pediu mais uma coca e brincou com a tampinha da garrafa. ~

terça-feira, 29 de julho de 2008

Paranoid Eyes





Para longe

O navio está me levando para longe
Para longe das memórias
Das pessoas que se importam se eu vivo ou morro

Baixei a cabeça enquato ouvia tua argumentação ao telefone.Comecei a pensar em como seria me afastar.

Luz da estrela
Eu vou perseguir a luz da estrela
Até o fim da minha vida
Eu não sei mais se isso vale a pena


Fui fuçar os restos mortais do teu antigo blog e fiquei lembrando da trajetória inteira, desde agosto.

Segurar você em meus braços
Eu só queria segurar
Você em meus braços


O telefone tocou de novo, voltei a baixar a cabeça ouvindo tua voz.Meu medo se consolidando: eu não te conheço.

Minha vida
Você eletrifica minha vida
Vamos conspirar para acender

Todas as almas que morreriam só para se sentirem vivas



Pendi a cabeça pra trás, tirei o boné, pra ver se a dor diminuía.Enxaqueca, maxilar travado.

Mas eu nunca deixaria você ir
Se você prometesse não desaparecer

Nunca desaparecer



Palavras ecoam na minha mente, imagens repassam nos meus olhos opacos. Busco a mais tosca auto-amenização.

Todas as esperanças e expectativas
Buracos negros e revelações

Não obtenho resultado algum. Meu dedo está inchado do chute que levei no karatê. Aperto a mão pra buscar minha válvula de escape.Olho pro chão e digo baixo eu não sou uma boa pessoa.

Eu só queria te segurar em meus braços.
Não sou como uma outra pessoa que nunca te fez chegar em casa e chorar por uma palavra errada dita, eu não te dei o que ninguém mais te deu, você teve trabalho comigo e eu já te deixei muito triste.
Pode amarrar uma pedra e me jogar da ponte.Inconcebível, delicado e ridículo te darão apoio, e você tem direito, com certeza.

[Ouvindo Starlight - Muse ]

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Doces deletérios


Tenho andado distraída, impaciente e indecisa. E sim, ainda estou confusa, só que agora é diferente. Acho que me fiz em mil pedaços pra alguém juntar, eu sempre me faço, creio. Há muito cheguei à conclusão de que não podemos achar explicação pro que sentimos, mas a gente sempre finge que não sabe disso e fica procurando.

Talvez seja exagero, mas eu já me acostumei de uma forma a algumas situações, a algumas variações de voz, a alguns toques, que quando não estou em meio disso, fico perdida.Meu coração ainda é tosco, mal talhado e às vezes tenho medo de mim mesma.Quem não tem?

Insisto que é virtude o que é entulho, interpreto uma peça, um improviso insensato.


Ouvindo:

Quase sem querer, Teorema, Sete Cidades, Os Barcos, Daniel na Cova do Leões - Legião Urbana

Condicional - Los Hermanos


O mundo é um moinho - Cartola [na voz de Cazuza]

Nothing at All - Santana

Cannonball - Damien Rice


~ Ela vendou os olhos,cheirou as mãos que ainda guardavam o perfume de um alguém especial, respirou fundo e deu um passo. A corda balançou sob seu pé descalço e ela abriu os braços pra não perder o equilíbrio. As lágrimas molhavam a venda e o vento vinha em rajadas como pequenas navalhas, ferindo seu corpo exposto, mas ela não parou de caminhar. Uma dor fina lhe indicou que seu pé direito fora ferido, ela cambaleeou, mas manteve-se na corda. Agora, ela está lá. No meio da corda suspensa sobre o desconhecido, com um pé sangrando. Não sabe se consegeue prosseguir e a perna boa já começa a dar sinal de cansaço. Ela está lá. ~

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Protótipo imperfeito

Peguei umas porradas seguras de palavras. Coisas que não precisavam ser ditas, coisas que eu não tinha o direito de ouvir. A pessoa que me desferiu as palavras tinha o dever de ter lido meu jeito de falar e calar e entender que algo não ia bem. Digo que tinha o dever porque não foi uma pessoa qualquer.
Você não tinha o direito de me acusar de distância.
Você não tinha o direito.
A culpa de tudo estar como está você sabe de quem é. Tá bem aí do teu lado.





~ Cortava cebolas compulsivamente quando precisava chorar.Manejava os sentimentos, guardava os gritos, calava os pensamentos. No fim-de-semana, preparava um almoço sublime e cortava cebolas enormes para disfarçar o seu próprio choro. Todo mundo achava estranho o choro calado e intenso, mas ela dizia que devia ser mais sensível que as outras pessoas. E chorava.

Mas chegou um ponto que ela não conseguia mais prender as coisas por muito tempo. Ficava então à flor da pele, procurava na tv progamas sensacionalistas e chorava vendo casos banais, sempre sozinha. Depois, vestia seu melhor sorriso e ia ver as pessoas. A alegria de todo mundo, a amiga sempre presente, o alto astral da casa.

Cortava a si mesma às vezes para transferir as dores.Era só o que sabia fazer: transferir dores. ~


[Sim, resolvi voltar com a parte vemelha no fim do post.]

domingo, 6 de julho de 2008

Meu plano metálico

video

[ Para você.
Pequenas coisas que você gosta]


De todo aquele banquete, você olhava para a ameixa que estava ali meramente como artefato decoratrivo, tomando coragem para usurpá-la da mesa. Sorri, dizendo que eu te daria cobertura e você a pegou. A mais dura.

Correndo pra fora da reunião social chatíssima em que estávamos, sentamos na grama úmida e você mordeu a fruta num êxtase. Disse-me que passou anos querendo sentir aquele gosto de novo, e que suas pernas tremiam de prazer ao mínimo toque da sua língua na polpa da ameixa.

Nunca fui muito fã de ameixas, mas confesso que me viciei em te oferecer uma antes de te beijar.

Quero sentir de novo teu beijo de ameixa... pra apagar da mente aquele com gosto de lágrimas.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

De novo?

Vento frio entrou pela janela. Que cheiro do Rio de Janeiro, meu Deus. Deu vontade de estar lá, andando pelas ruas de Santa Teresa ou mesmo na janela do apartamento da 2 de Dezembro. Deu vontade..


Repostando...

Porque, é isso aí.

Consegui dizer algumas coisas que estavam comigo.Minha cabeça doía terrivelmente, talvez pressão do choro.Não te culpo, de nada.As construções internas foram minhas.


30 de agosto de 2007


Vazio.

Parece que tudo sumiu. Implodiu.É, implodiu... porque desmoronou e ficou aqui dentro.Ruiu, quebrou,dissolveu... pra dentro.Antes tivesse explodido.Assim, estrondosamente, pra fora.Talvez assim, não ficasse nenhum resquício, nenhum tijolo quebrado,nenhum pedaço de armação... a mesma armação que antes segurava toda a estrutura. Antes tivesse explodido... com direto a nuvens de fumaça e, quem sabe, até a um cogumelo atômico.Assim, todo mundo veria... e eu poderia ficar em silêncio.Assim, eu poderia gritar, pois o som da explosão abafaria, e ninguém ia escutar -eu permaneceria em silêncio, mas gritaria.

Mas não explodiu.

Implodiu. E o som foi seco,quase de sucção. E tudo, absolutamente tudo, se espalhou dentro de mim.A nuvem de fumaça que não saiu, agora chove estilhaços torrenciais.A explosão que não se ouviu, agora ressoa aqui dentro e eu não posso mais gritar, pois me ouviriam.Agora, não há silêncio e sim um grito interno (absurdo, doído, enlouquecedor). O possível cogumelo atômico mostrou-se um verdadeiro baobá - aquelas árvores enormes, que se enraízam, que tomam de conta... [que acabariam o planeta do Pequeno Príncipe] .


{Afastei pros lados o entulho e olhei. Lá no fundo uma coisa pulsava lentamente. Parecia ferido, assustado...Consegui apoiar minha perna por cima de um monte de fragmentos coloridos e entrei mais fundo (depois reparei que não era um monte de fragmentos. Era um monte de sonhos. Mas daí lembrei que isso não fazia mais diferença. Eram pedaços de sonhos rasgados, ou seja, eram fragmentos.Segui adiante). Ah, lá estava ele. Agora podia tocá-lo. "Ohhh... você resistiu! Não precisa mais temer, porque agora estou aqui.Lá fora não é mais seguro.Talvez nunca tenha sido."
E me deitei, encolhida entre todos os escombros, com meu coração nas mãos}




~ E a única evidência externa, se resume em lágrimas. ~

quarta-feira, 2 de julho de 2008

 
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