Away


Depois de chorar abraçada com seu urso,ligar pra pessoa que acredita amar, ligar para aquelas que tem certeza que a amam e para aquela que um dia a amou, ela tentou dormir, revirando velho texto batido dos amantes mal-amados, dos amores mal-vividos.Sorriu debilmente sabendo que aquilo tudo sempre ficará indo e vindo. E cada vinda, versão nova de uma velha história. Levantou.

*

A água estava quente, perfumada e acolhedora. Ela abraçava os joelhos, afundada na banheira até o limite dos olhos marejados e opacos. Silêncio.
Os pulmões arderam com a falta de ar e ela ergueu o rosto para respirar, tomando cuidado pra não perturbar a superfície lisa da água: um véu fino e delicado que a cercava. Afundou nele, esticando o corpo.
Abriu os olhos, sentiu o silêncio denso comprimir seus ossos, ouviu sua mente gritar. Só no mais absurdo silêncio ela conseguia se ouvir. Tinha medo de ficar só consigo mesma, porque sabia que a mente sempre tinha razão. Evitava o silêncio no qual ela gritava.
Mas não naquele dia, ela precisava disso. Ignorou o corpo que pedia por ar e sorriu, sentindo aquela imensidão silenciosa e pesada comprimir-lhe contra a porcelana branca.Desejou ficar em uníssono com aquilo tudo, com a água, o silêncio, a solidão carregada. Sentiu-se completa e protegida. Virou-se pro lado, abraçou as pernas e fechou os olhos.

*

"Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça(...)"

"... Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos".

" exausto de construir e demolir fantasias(...)"

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

Caio Fernando Abreu, alimentando meu devaneio louco.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

4 Comments:

Ruth Connors said...

como foi que eu adivinhei.

dona maia continua tão previsível?

tua previsibilidade: daí a minha compreensão, e meu amor.

não se preocupe xu, tudo vai dar certo.

Camila Cutrim said...

... e o meu também!

Lindo, Mai, lindo.

Beijo.

ImaGINE said...

ele se parece tanto cmg, q as vezes diz só o q quero

Não sei se meu filho eh caio ou francisco.


te amo

beeejo

Lenny Mayran said...

"I'm comming home, baby.."

 
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